Em tantos discursos, teses e
pensamentos surge a figura de uma sociedade perfeita, uma sociedade que
disponibilize tudo para todos, uma sociedade justa.
No entanto, para a maioria das
pessoas, até no momento em que idealizam este tipo de sociedade manifesta-se a
incoerência; afirmo isto pelo fato de que, mesmo desejando a justa distribuição
para todos, permanece aquela ânsia de contarmos com algo a mais, trazendo à
tona um sentimento que é um dos agentes da desigualdade social: o possuir mais.
Este sentimento chega a ser imperceptível para a maioria das pessoas, as quais
não se dão conta de que ele orienta o seu dia a dia.
A igualdade possível, a sociedade
justa, não pode ser vista como um ambiente em que todos possuam de forma
equivalente, mas sim uma sociedade que oportunize a todos não as mesmas possibilidades,
mas possibilidades distintas que permitam alcançar o caminho da dignidade e da
sua própria subsistência. Há uma série de fatores que farão a diferença em
relação aos objetivos alcançados por uns e outros; o que se quer, é que esses
motivos sejam de responsabilidade da própria pessoa e não impostos por
desigualdades determinadas pelo próprio homem.
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